domingo, 4 de outubro de 2015

Cemitério



Desamparada ela caminha entre os túmulo, não sabe onde ela está enterrada. Era pequena quando se foi e o descuido do pai não permitiu que seu túmulo fosse cuidado.
Faz tempo...


Andando pelas quadras ela tenta amenizar sua tristeza, de certa forma até prestando uma homenagem. Afinal, pra que flores se não tem onde depositá-las?


Seu vestido amarelo com pregas cobrem seus sapatos, os passos num ritmo lento. Está sozinha como sempre! Seus cabelos compridos presos com um laço balançam com a brisa deste descampado gélido. Ela caminha buscando recordações carinhosas de sua mãe. E que recordações se era tão pequena quando se foi?


Desejava tê-la de volta, mas logo se arrepende. Onde ela está há paz e pra que trazê-la, meu Deus, novamente para este mundo tão sofrido? Então, convencida pelo destino ela deixa o cemitério tendo a certeza que Deus vai protegê-la.
Segue sua caminhada, sem saber o que encontrar.

Ottilia Ferraz

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